domingo, 2 de dezembro de 2007

#2: sobre exposição de arte e exibição de pessoas

Nada como um vernissage para descobrir quem é quem em São Paulo. Entre becos nas ruas do centro de São Paulo não é difícil se deparar com uma nova exposição que pulula todos os meses em um desses espaço-cultural-de-banco-mantido-por-meio-de-abono-fiscalS. Desatento, já que um pós-hype vive de antenas quebradas, caí num sábado ensolarado no CCBB (para os íntimos) atraído pela notícia de que as obras de Yoko Ono seriam exibidas num esforço de reconhecimento tardio à grande artista que fez muito além de ter dormido com John Lennon e destruído a carreira dos Beatles. Supreende-me como maquiagem e televisão são aliados ou supergêmeos. Não há como negar: as pessoas envelhecem, e aquela apresentadora de TV que aparenta ter a sua idade - provocando sentimentos de fracasso pessoal - sem as luzes e maquiagem de estúdio metamorfosea a sua cútis em grandes crateras como a de qualquer ser terrestre. Espremido entre minúsculas escadas do casarão do séc XIX "revitalizado" num centro de "cultura", entendi o que se entende por contato pessoal nesse meio: fragâncias da moda, tecidos sintéticos, gíria em pajubá e uma gota de erudição. Admirável mundo novo, saí de lá sem chegar perto de nenhuma obra da dita artista, de qualquer forma, a exibição não estava por conta dos objetos delimitados por fitas prateadas no chão, às vezes a vida parece ser ingrata com os performers - esses que fazem arte através de apresentações onde quer que se encontre público - a concorrência é grande.