sábado, 16 de fevereiro de 2008

#9: sobre pessoas em movimento

coletivo. Adj. 1. Que abrange ou compreende muitas coisas ou pessoas. Apesar dos mais de milhões e milhões de carros que a cidade possui, o coletivo muitas vezes se espreme em coletivos: metrôs, ônibus e similares. Mas como num passe de mágica, a horda de trabalhadores que se espreme, tensa, no horário de pico põe sua roupa de festa aos sábados à noite.
Turmas diversas, grupos heterogêneos que se sentam separados trocando olhares que como máquinas de preço rotulam para delimitar cada qual sua galera. O rótulo e o preço não são metáforas ingênuas, como num supermercado o rótulo engana e o preço nem sempre parece ser resultado de uma lógica do custo+lucro. É o risco da noite, é o risco de querer fazer parte de um grupo: dos acessórios ultra-modernos às roupas específicas, diverte-se. A noite é uma criança e é nos coletivos que ela começa a engatinhar. Balada à la paulistânia passa por catracas e bilhetes únicos.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

#8:dias mais paulistanos; vive-se numa zona temperada

Ingrata idéia de quem nos fez acreditar na necessidade de se passar grande parte do tempo fora de casa. Bermuda, camiseta, mochila e garrafa d´água: kit working hours. Bem, mas como repartição pública, o clima em São Paulo bate cartão cedo, e não mais que de repente, tomados por uma espessa camada de algodões doces acinzentados, somos surpreendidos por aquilo que a sábia senhora diz... é chuva !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Se fosse em outros lugares, a cena remeteria às mulheres correndo em direção ao varal, às roupas que secaram agraciadas pelo sol, aos vestidos de chita, às formas exuberantes de mulatas (ah! sempre as mulatas!); mas abrindo os olhos é a massa paulista que espera espremida em entradas de metrôs, pontos de ônibus (...) esperando a boa vontade da massa de ar quente e da massa de ar fria resolverem suas querelas sem chorar suas mágoas sobre nossas cabeças.. aquecimento global? não, isso é quase um determinismo geográfico.