quinta-feira, 6 de março de 2008

#12: diálogo com o deus solar.

Impossível, não hei de escolher entre as duas: olho o sol e me cego ou sinto o seu calor apenas à distância.

#11: sobre vidas siamesas em tempos de inferno ou à CQ

Na música clássica, em quase todas as obras, uma parte é chamada de Tutti - do italiano mesmo, tudo - na qual todos os músicos tocam ao mesmo tempo. Por mais denso que pareça; para mim a confusão de sons sempre foi o que dava mais prazer e encantamento. A vida, às vezes, parece um tutti que arrepia e faz enormes gotas de lágrimas se formarem no canto do olho - de um apenas, daquele mais frouxo. De repente, aqueles problemas ou aquelas dúvidas, que fizeram sua aparição ao longo de um ano, num momento único irrompem a tranquilidade dos movimentos contínuos que nós acostumamos a chamar de rotina. A nossa absorção em qualquer outra coisa - que continuamos a chamar de EU interior - é perpassado por inúmeras sensações estranhas. Os pêlos arrepiados e a pele com seus poros ressaltados, quase lembrando a pele da galinha depenada, apenas reafirmam quão estranho é o sentir. E que o outro, mesmo não presente, faz a sua presença no corpo, na pele, na lágrima. Seríamos tão inocentes assim em transformar nossas vidas em quebra-cabeças, procurando a peça que falta para completar nosso magnífico jogo de 1000 peças para alcançar a felicidade? Mesmo quando a peça não se encaixa e se faz inúmeras mudanças, corta a ti mesmo...será? Antes da cicatrização de cada corte e a resolução de cada problema; cada ruído, cada barulho silencia-se. O tutti termina, apenas o instrumento do solo continua o choro de suas cordas. Vai-se embora o inferno astral, sem respostas, sem ajudar, na busca de um esclarecimento qualquer apaga-se a luz do palco. Há momentos nos quais a ausência é a melhor resposta.

terça-feira, 4 de março de 2008

#10: sobre falta de luz ou qualquer iluminção

De repente todos os leds verdes apagam-se como numa coreografia muito bem treinada. Mas esse balé simplesmente não me deixa feliz. Falta luz. A tela do computador faz aquele barulho engraçado lembrando, num tom irônico, das horas que posso perder porque não apertei aquele desenho do disquete - afinal, quem ainda usa disquete na era do pen-drive e dvd-r? Mas no 13º andar as coisas andam num ritmo místico. Sem luz, sem elevador, sem telefone, sem internet.... aparelhos móveis! Como nos faz bem um celular com rádio... se ao menos estivesse com a bateria cheia... num bunker nas alturas, entrincheirado atrás do parapeito da varanda, observo o andar das pessoas: como ainda conseguem andar sem luz?!
Tentar fazer outras coisas que não sejam as plugadas parece inútil, sob o sol das 9 da manhã, a sala parece imersa numa escuridão que só a luz branca da lâmpada econômica pode resgatar, cozinhar também não me apetece, a comida sem luz fica insossa.
O desespero da falta de luz pode trazer soluções práticas, quem sabe, pedindo uma luz divina? Ou será que esse serviço também foi privatizado? Do 13º, sem luz, a vida é difícil.