Sempre me causou um certo enjoo o preciosismo dos corretores de português. De todos aqueles aos quais a boa escrita se assemelha a um processo civilizador tão comum ao sonho de uma corte afrancesada, esbranquiçada, em cantões da virtude ortográfica acessível apenas àqueles que pagam corvéia à pena transcendental com cuja ponta precisa inscreve em nossas almas suas regras do bem-fazer.
Ou mesmo daqueles que leem placas pela cidade procurando erros que param em arquivos ppts anexados com clipes virtuais circulando por meio de spams indesejáveis para de forma jocosa rir do que não se gosta.
Ainda um asco aos que carregam a ideia de que a feiura do riscado errado está associada aos rostos fora do padrão estético reservado aos intelectuais. Do mundo que se separa em especialidades rijas, mas que guarda um enorme compartimento ao que é feio, errado e dessemelhante.
Aos seguidores da língua culta que se veem perdidos com novas regras e mantêm a certeza de que a escrita não se presta à comunicação, mas simplesmente demarcar gente certa de gente errada.