Praticantes da refinada arte do encasulamento, muitos são aqueles que com tesouras invisíveis cortam seus laços sociais desatando finos fios ou grossas amarras para enreder uma crosta ao seu gosto. Pontos variados intercalados com contas tarjas pretas, de pílulas bicolores habilmente tecidos com técnicas passadas em segredo ou em receitas médicas.
Num mudo de encasulamento, passa-se ao largo de teorias da socialização ou de qualquer outra que force um número além do #1. Pensamentos ajudam a enrigecer a trama, funcionando como verniz fosco aos pensamentos já obscuros.
Espera que do casulo saia uma colorida borboleta, o esperançoso leitor espera.
Isso depende apenas do #1.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
#28: reflexões sobre a morte ou a filosofia de cemitério
Engraçado é pensar numa cidade grande com sua enorme quantidade de cadáveres que são encaminhados em procissões solenes para todos os cantos.
De quanta gente a grande cidade habita e que ela fagocitou para dentro de seu solo ou mesmo de paredes construídas para tais fins.
Como se dá o velório em formigueiros? Onde estarão os vendedores de coroas?Ao lado da rainha ou ao lado das operárias?
Refletindo sobre coisas banais, como todo paulistano, cheguei à conclusão de que flores são muitos caras e quando em abundância geram um perfume fétido misturado com odores estranhos. Ou seriam os corpos velados que geram tudo isso?
Na mescla de missas e cerimoniais, um monge budista disse-me que as almas passam por um ciclo de 49 dias antes de chegarem à outra margem do rio, no qual, para aqueles que se perguntam sobre a vida pós-morte, todos viram luz. Aí logo pensei, abrindo um parênteses duplo e altamente indecoroso, que o budismo possuía uma estética quasi-homossexual com suas almas sedentas por se tornarem luz à deriva num rio agitado por 49 dias- fim da inflexão.
Pensei também se no outro plano, ou nesse mesmo rio, existiam as questões ambientais e de como seria pertinente para ecochato - como eu - que acabou de falecer conseguir se desapegar da materialidade dos detritos que ficavam à deriva no rio. Quiçá esperavam virar luz.. e se o lixo tornar-se luz, energia! Fim dos problemas ambientais e metafísicos e princípio dos questionamentos físicos.
A grande conclusão é a de que Einstein era, provavelmente, um budista não-professo e que a teoria da luz e da relatividade tinha sua fonte no budismo de estética quasi-gay. Lembrei-me da cena de um média-metragem da fase dos 90s nacional que se utilizava da metáfora da luz. "Bicha não morre, vira purpurina".
Então às favas com os debates sobre o petróleo, quando morrer, como a bicha, Einstein e Budha quero também me valer da metáfora iluminada "Levem-me à Eletropaulo".
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