domingo, 30 de dezembro de 2007
#4: sobre os pedidos para o ano novo.
Felicidade, saúde? Será que eu posso pedir algo que não venha numa caixa com tarja preta?
domingo, 16 de dezembro de 2007
#3: sobre o stress do fim de ano e sua variante botecal.
Fim de ano - além do anúncio dos projetos não cumpridos que mais uma vez ficam como muitas outras coisas para o ano vindouro, ou o depois dele - os papais-noéis que se espalham pela cidade como gnomos acabados de sair de containeres vindo da China nos lembram da palavra de ordem que pululam no assunto dos e-mails. Confraternizar. Juntar turmas de épocas diferentes, relembrar os papos que são relembrados somente nessa época. Triste fim para um ano que parecia tão pra-frentex, você passa os últimos dias dele relembrando feitos do passado. Pior que uma sessão no psicólogo, o embate coletivo contra sua pessoa, que sorri e responde o com porquês variados a ausência de um relacionamento, a ausência de um emprego fixo, a ausência do viço da juventude no seu semblante, envelhecer não é preciso é somente trágico. Mas como salvação você se recorda do descuido dos monges que se esqueceram de garrafas de vinho fermentando por fim e nos brindaram com tão especial bebida: champagne. Seja sua versão masculina, o champanhe, ou a sua versão feminina a champanhe, fato é que como as bolinhas que borbulham e coçam o nariz a vida parece como esse momento fugidio entre o fundo da taça de cristal e a eclosão da bolha gasosa sob a superfície do líquido dourado.
Metáfora champanhosa, só me lembra que não somos nós que passamos um tempo na terra, é o tempo que passa a terra sobre nós. Passivos na vida, ao menos nessa época podemos tentar domar o futuro relembrando o passado, mas um dia todos nós-bolhas explodirão?
Metáfora champanhosa, só me lembra que não somos nós que passamos um tempo na terra, é o tempo que passa a terra sobre nós. Passivos na vida, ao menos nessa época podemos tentar domar o futuro relembrando o passado, mas um dia todos nós-bolhas explodirão?
domingo, 2 de dezembro de 2007
#2: sobre exposição de arte e exibição de pessoas
Nada como um vernissage para descobrir quem é quem em São Paulo. Entre becos nas ruas do centro de São Paulo não é difícil se deparar com uma nova exposição que pulula todos os meses em um desses espaço-cultural-de-banco-mantido-por-meio-de-abono-fiscalS. Desatento, já que um pós-hype vive de antenas quebradas, caí num sábado ensolarado no CCBB (para os íntimos) atraído pela notícia de que as obras de Yoko Ono seriam exibidas num esforço de reconhecimento tardio à grande artista que fez muito além de ter dormido com John Lennon e destruído a carreira dos Beatles. Supreende-me como maquiagem e televisão são aliados ou supergêmeos. Não há como negar: as pessoas envelhecem, e aquela apresentadora de TV que aparenta ter a sua idade - provocando sentimentos de fracasso pessoal - sem as luzes e maquiagem de estúdio metamorfosea a sua cútis em grandes crateras como a de qualquer ser terrestre. Espremido entre minúsculas escadas do casarão do séc XIX "revitalizado" num centro de "cultura", entendi o que se entende por contato pessoal nesse meio: fragâncias da moda, tecidos sintéticos, gíria em pajubá e uma gota de erudição. Admirável mundo novo, saí de lá sem chegar perto de nenhuma obra da dita artista, de qualquer forma, a exibição não estava por conta dos objetos delimitados por fitas prateadas no chão, às vezes a vida parece ser ingrata com os performers - esses que fazem arte através de apresentações onde quer que se encontre público - a concorrência é grande.
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
#1 sobre assistencialismo e literatura marginal
Por mais debilitada que ela pareça, não dê ajuda a uma senhora enquanto você estiver segurando (e lendo) um livro cujo título seja algo parecido com: "eu sou uma lésbica". Não adianta, por mais dentes que você exponha na hora de oferecer ajuda - sorrindo eu quero dizer, sem deixar margem às outras interpretações - ela o ignorará! Preterindo o dois-passos-por-degrau-carregando-uma-mala a ser ajudado por alguém que lê tal literatura. Triste fim ao dia do bom samaritano. quarta-feira, 14 de novembro de 2007
manifesto de um paulistano pós-hype

Hype no jargão paulistano é aquele que está à frente das tendências, lançador delas em todos os campos: moda, arte, cinema, leitura, música, baladas.. lançamentos recheados de histórias de um tempo primevo, de heróis míticos que puderam lutar contra um país sem luxo e sem-hype, bandeirantes do "bom gosto", nada como uma renovação da nossa imagem paulista reafirmada através da simples tríade: "O que, onde e como". Mas como toda moda passa - e algumas em especial desvanecem pari-passu com o tempo - esse é mais um manual de "gerenciamento de crise". Isso mesmo, não estamos sós!; as calças skinnies ficam estranhas em você (!?); os óculos de acrílico parecem artificiais (!?); o cinto de rebites parece decadente; junto com o rímel você deixou de lado todo tipo de descoloração no cabelo (??); você se pergunta como alguém consegue ficar até as cinco da manhã sem vomitar ou dormir na balada? Bem vindo ao mais novo avant-garde: o movimento pós-hype! Comemorando o lançamento a ilustre presença do hippo-hype!
Assinar:
Postagens (Atom)