Fim de ano - além do anúncio dos projetos não cumpridos que mais uma vez ficam como muitas outras coisas para o ano vindouro, ou o depois dele - os papais-noéis que se espalham pela cidade como gnomos acabados de sair de containeres vindo da China nos lembram da palavra de ordem que pululam no assunto dos e-mails. Confraternizar. Juntar turmas de épocas diferentes, relembrar os papos que são relembrados somente nessa época. Triste fim para um ano que parecia tão pra-frentex, você passa os últimos dias dele relembrando feitos do passado. Pior que uma sessão no psicólogo, o embate coletivo contra sua pessoa, que sorri e responde o com porquês variados a ausência de um relacionamento, a ausência de um emprego fixo, a ausência do viço da juventude no seu semblante, envelhecer não é preciso é somente trágico. Mas como salvação você se recorda do descuido dos monges que se esqueceram de garrafas de vinho fermentando por fim e nos brindaram com tão especial bebida: champagne. Seja sua versão masculina, o champanhe, ou a sua versão feminina a champanhe, fato é que como as bolinhas que borbulham e coçam o nariz a vida parece como esse momento fugidio entre o fundo da taça de cristal e a eclosão da bolha gasosa sob a superfície do líquido dourado.
Metáfora champanhosa, só me lembra que não somos nós que passamos um tempo na terra, é o tempo que passa a terra sobre nós. Passivos na vida, ao menos nessa época podemos tentar domar o futuro relembrando o passado, mas um dia todos nós-bolhas explodirão?
Metáfora champanhosa, só me lembra que não somos nós que passamos um tempo na terra, é o tempo que passa a terra sobre nós. Passivos na vida, ao menos nessa época podemos tentar domar o futuro relembrando o passado, mas um dia todos nós-bolhas explodirão?
Nenhum comentário:
Postar um comentário