sexta-feira, 2 de outubro de 2009
#41: pós-poser - suspensão temporal
Em dias que acordo cedo, olho ao lado e reconheço aquela estranha forma amontoada de livros que se forma ao lado da minha cama. Observando longamente as folhas sobre folhas, sobre capas, sobre livros, sobre minha vida. Às vezes percebo uma formiga escalando os vistosos volumes rabiscados, anotados e acrescidos de post-its amarelos que se demora em seu passeio sobre um grosso volume de história de mulheres. Entretido com reflexões sobre o gênero da formiga percebi que era eu quem divagava sobre vultosas encardenações, na minha condição de pequena formiga, quem se importaria com meus devaneios sobre grossos livros? Puxo o lençol com motivos de gosto duvidoso, cubro o meu rosto e volto a dormir.
sábado, 26 de setembro de 2009
#40: mundo sem A - lixarias
Como dizer sobre o sentido e visto? Ou mesmo sobre o desejo, sem poder escrevê-lo e descrevê-lo? Como pôr em movimento o processo do escrito sem junto tudo o que em todo momento quer surgir como o explícito? Comunico-me com defeito por meio de termos que desunidos impedem o sentido..peno no que quero escrever.. me devolve o que preciso.. esse tipo mesmo.. onde tudo tem início... que esse me pressione, só depois sentirei de novo... só depois me comunico.. AAAA
quinta-feira, 16 de abril de 2009
#38: relações obtusas ou searching for
Todos as noites, em meu caminho de volta para casa, tenho essa estranha sensação. Passada 22:00 da noite a rua não tem aquele movimento do dia: de quase deserta torna-se completamente vazia.
Meu passo apressado é sempre brindado com um fato estranho. Ao passar pelo poste de luz da esquina, ele sempre teima em apagar. Todas as noites ele desvia meus olhos do asfalto para aquela lâmpada que se tinge numa cor laranja suco. Esse poste com certeza não gosta de mim. Ou pelo menos é assim que se apresenta. Estranho, chamar a atenção negando qualquer relação.
Do meu encontro com o poste descobri que gostar e não gostar não é algo assim tão evidente. Talvez se um dia eu passar por aquela rua vazia e abraçar o poste ele me aceite e entenda: Eu sou como você.
Mas de que adiantaria? Depois do abraço, o poste abandonado iria se despedir do seu novo companheiro solitário. E os dois seguiriam soltando raios e apagando as luzes de quem fica ao nosso redor.
Meu passo apressado é sempre brindado com um fato estranho. Ao passar pelo poste de luz da esquina, ele sempre teima em apagar. Todas as noites ele desvia meus olhos do asfalto para aquela lâmpada que se tinge numa cor laranja suco. Esse poste com certeza não gosta de mim. Ou pelo menos é assim que se apresenta. Estranho, chamar a atenção negando qualquer relação.
Do meu encontro com o poste descobri que gostar e não gostar não é algo assim tão evidente. Talvez se um dia eu passar por aquela rua vazia e abraçar o poste ele me aceite e entenda: Eu sou como você.
Mas de que adiantaria? Depois do abraço, o poste abandonado iria se despedir do seu novo companheiro solitário. E os dois seguiriam soltando raios e apagando as luzes de quem fica ao nosso redor.
terça-feira, 31 de março de 2009
#37: notícias do front.
Sem meu GPS intelectual, a vida continua à deriva/ Uma pessoa sem vocação literária que ousa fazer inversão de oração! / Com sete anos fui à benzedeira - lembra da música ... do todo torto... - anunciou que eu ia morrer, mas não morri../ Às vezes, sinto-me vivo. R$1,20: café e biscoito de queijo, a vida fica um pouco mais feliz.
quarta-feira, 25 de março de 2009
# 36: bricoleur textual
Recorta e cola, aqui, assim. Tesoura reta, mas não tão afiada. Vida simples, sem muito tumulto. Arremate no fim, mas com martelo de borracha.
sexta-feira, 20 de março de 2009
#35: desmemorizado
Agora já não me lembro mais se tomei café e comi pão-de-queijo. Hoje eu ainda espero que eu posso me lembrar. Disseram-me que se passasse um DataRecovery quem sabe.. o que estava antes pode surgir à tona. É isso? Um método de regressão de vidas passadas para o HD? 160GB de memória, disso que se faz a vida?
quarta-feira, 11 de março de 2009
#34: 27
Tudo na vida é subida e descida. Ainda mais em Belo Horizonte, cidade planejada que não conseguiu planejar a herança geográfica. Entre ruas com nome de estados e de termos indígenas a ladeira leva para além dos pequenos contornos da cidade planejada. Aí sim, nem planejamento urbano e nem geográfico. A vida é subidona e descidona.
sexta-feira, 6 de março de 2009
#33: quase lá
Um dia para o grande dia. Repensando a vida entre cafés e pães de queijo, desisitindo de alguns sonhos e encurtando o limite de outros. A vida que poderia ser mais fácil sempre guiado pelo lado mais difícil. C´est difficile. Mas nunca impossível.
Observando a garça no lago, suas pernas eram felizes.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
#32: encruzilhadas
Na cidade planejada, vidas que se retificam entre ruas sem buraco.
Planejadas, planilhadas, pontuadas, especificadas.
No cruzamento de tantas esperanças e expectativas, o mendigo sentado cria uma curva que fere o ângulo reto preciso.
Com bebida e incerteza também se planeja a vida.
Planejadas, planilhadas, pontuadas, especificadas.
No cruzamento de tantas esperanças e expectativas, o mendigo sentado cria uma curva que fere o ângulo reto preciso.
Com bebida e incerteza também se planeja a vida.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
#31: in beagá nem tão pós ainda
Pano de chão, granola, leite, adoçante, papel higiênico e um cigarro. O que tem de diferente aqui?
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
#30: primeiras impressões da segunda-feira
Manhã nublada de filas e transportes lotados; a cidade se põe em movimento.
Do fim-de-semana um gosto de ressaca, um leve frescor de vida que mais parece ardor.
A dor? Foi-se embora com os R$0,68 da aspirina. (Que metáfora mais clichê).
Do fim-de-semana um gosto de ressaca, um leve frescor de vida que mais parece ardor.
A dor? Foi-se embora com os R$0,68 da aspirina. (Que metáfora mais clichê).
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
#29: despedida coletiva do solitário.
Praticantes da refinada arte do encasulamento, muitos são aqueles que com tesouras invisíveis cortam seus laços sociais desatando finos fios ou grossas amarras para enreder uma crosta ao seu gosto. Pontos variados intercalados com contas tarjas pretas, de pílulas bicolores habilmente tecidos com técnicas passadas em segredo ou em receitas médicas.
Num mudo de encasulamento, passa-se ao largo de teorias da socialização ou de qualquer outra que force um número além do #1. Pensamentos ajudam a enrigecer a trama, funcionando como verniz fosco aos pensamentos já obscuros.
Espera que do casulo saia uma colorida borboleta, o esperançoso leitor espera.
Isso depende apenas do #1.
Num mudo de encasulamento, passa-se ao largo de teorias da socialização ou de qualquer outra que force um número além do #1. Pensamentos ajudam a enrigecer a trama, funcionando como verniz fosco aos pensamentos já obscuros.
Espera que do casulo saia uma colorida borboleta, o esperançoso leitor espera.
Isso depende apenas do #1.
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
#28: reflexões sobre a morte ou a filosofia de cemitério
Engraçado é pensar numa cidade grande com sua enorme quantidade de cadáveres que são encaminhados em procissões solenes para todos os cantos.
De quanta gente a grande cidade habita e que ela fagocitou para dentro de seu solo ou mesmo de paredes construídas para tais fins.
Como se dá o velório em formigueiros? Onde estarão os vendedores de coroas?Ao lado da rainha ou ao lado das operárias?
Refletindo sobre coisas banais, como todo paulistano, cheguei à conclusão de que flores são muitos caras e quando em abundância geram um perfume fétido misturado com odores estranhos. Ou seriam os corpos velados que geram tudo isso?
Na mescla de missas e cerimoniais, um monge budista disse-me que as almas passam por um ciclo de 49 dias antes de chegarem à outra margem do rio, no qual, para aqueles que se perguntam sobre a vida pós-morte, todos viram luz. Aí logo pensei, abrindo um parênteses duplo e altamente indecoroso, que o budismo possuía uma estética quasi-homossexual com suas almas sedentas por se tornarem luz à deriva num rio agitado por 49 dias- fim da inflexão.
Pensei também se no outro plano, ou nesse mesmo rio, existiam as questões ambientais e de como seria pertinente para ecochato - como eu - que acabou de falecer conseguir se desapegar da materialidade dos detritos que ficavam à deriva no rio. Quiçá esperavam virar luz.. e se o lixo tornar-se luz, energia! Fim dos problemas ambientais e metafísicos e princípio dos questionamentos físicos.
A grande conclusão é a de que Einstein era, provavelmente, um budista não-professo e que a teoria da luz e da relatividade tinha sua fonte no budismo de estética quasi-gay. Lembrei-me da cena de um média-metragem da fase dos 90s nacional que se utilizava da metáfora da luz. "Bicha não morre, vira purpurina".
Então às favas com os debates sobre o petróleo, quando morrer, como a bicha, Einstein e Budha quero também me valer da metáfora iluminada "Levem-me à Eletropaulo".
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
#27: asking for directions, some useful expressions ou o monólogo diálogo
Segue em frente.
Vira à esquerda.
Dobra assim, aqui, à direita, agora.
Mais um pouco, vai.
Cuidado aqui, isso, assim
Aew. Tá vendo, não é fácil?
O que? Ainda perdido?
....hum.
Ah, mas pra isso não tem guia.
Vira à esquerda.
Dobra assim, aqui, à direita, agora.
Mais um pouco, vai.
Cuidado aqui, isso, assim
Aew. Tá vendo, não é fácil?
O que? Ainda perdido?
....hum.
Ah, mas pra isso não tem guia.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
#26: Ano novo, valores novos.
Acostumado com uma vida de valores ao meio, a vida de inteiros custa-me mais. Enfim encontrei a tão esperada metade que me tinham reservado, engraçado foi perceber que uma vida de valores completos não preenche alma alguma e apenas esvazia meus bolsos. Adeus vida cheia de valores estudantis!
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