quinta-feira, 6 de março de 2008

#11: sobre vidas siamesas em tempos de inferno ou à CQ

Na música clássica, em quase todas as obras, uma parte é chamada de Tutti - do italiano mesmo, tudo - na qual todos os músicos tocam ao mesmo tempo. Por mais denso que pareça; para mim a confusão de sons sempre foi o que dava mais prazer e encantamento. A vida, às vezes, parece um tutti que arrepia e faz enormes gotas de lágrimas se formarem no canto do olho - de um apenas, daquele mais frouxo. De repente, aqueles problemas ou aquelas dúvidas, que fizeram sua aparição ao longo de um ano, num momento único irrompem a tranquilidade dos movimentos contínuos que nós acostumamos a chamar de rotina. A nossa absorção em qualquer outra coisa - que continuamos a chamar de EU interior - é perpassado por inúmeras sensações estranhas. Os pêlos arrepiados e a pele com seus poros ressaltados, quase lembrando a pele da galinha depenada, apenas reafirmam quão estranho é o sentir. E que o outro, mesmo não presente, faz a sua presença no corpo, na pele, na lágrima. Seríamos tão inocentes assim em transformar nossas vidas em quebra-cabeças, procurando a peça que falta para completar nosso magnífico jogo de 1000 peças para alcançar a felicidade? Mesmo quando a peça não se encaixa e se faz inúmeras mudanças, corta a ti mesmo...será? Antes da cicatrização de cada corte e a resolução de cada problema; cada ruído, cada barulho silencia-se. O tutti termina, apenas o instrumento do solo continua o choro de suas cordas. Vai-se embora o inferno astral, sem respostas, sem ajudar, na busca de um esclarecimento qualquer apaga-se a luz do palco. Há momentos nos quais a ausência é a melhor resposta.

Um comentário:

Queiroz disse...
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