Cidade grande: enormes quantidades, números incomensuráveis, incontáveis pontos brilhantes, pequenas vidas. Eu sei, sempre soube - quem não sabe- a noção de medida é relativa e nunca absoluta. Mas de pontos brilhantes pequeninos, que enche com números os olhos do burocrata-administrador, os amontoados de lantejoulas tornam-se vidas, refletem desesperadas os raios de sol e brilham nas botas da drag-queen. As nossas vidas por outro lado, sem lantejoulas que nos ilumine ou botas que nos sustentem, continuam insignificantes dentro dos incontáveis apartamentos com suas enormes luzes acesas, na qual nossa vida se faz iluminar.
A paisagem da cidade à noite parece um céu às avessas, é sobre a terra o brilho das estrelas que de dentro dos apartamentos afirmam sua existência morta.
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