terça-feira, 20 de janeiro de 2009

#28: reflexões sobre a morte ou a filosofia de cemitério

Engraçado é pensar numa cidade grande com sua enorme quantidade de cadáveres que são encaminhados em procissões solenes para todos os cantos.
De quanta gente a grande cidade habita e que ela fagocitou para dentro de seu solo ou mesmo de paredes construídas para tais fins.
Como se dá o velório em formigueiros? Onde estarão os vendedores de coroas?Ao lado da rainha ou ao lado das operárias?
Refletindo sobre coisas banais, como todo paulistano, cheguei à conclusão de que flores são muitos caras e quando em abundância geram um perfume fétido misturado com odores estranhos. Ou seriam os corpos velados que geram tudo isso?
Na mescla de missas e cerimoniais, um monge budista disse-me que as almas passam por um ciclo de 49 dias antes de chegarem à outra margem do rio, no qual, para aqueles que se perguntam sobre a vida pós-morte, todos viram luz. Aí logo pensei, abrindo um parênteses duplo e altamente indecoroso, que o budismo possuía uma estética quasi-homossexual com suas almas sedentas por se tornarem luz à deriva num rio agitado por 49 dias- fim da inflexão.
Pensei também se no outro plano, ou nesse mesmo rio, existiam as questões ambientais e de como seria pertinente para ecochato - como eu - que acabou de falecer conseguir se desapegar da materialidade dos detritos que ficavam à deriva no rio. Quiçá esperavam virar luz.. e se o lixo tornar-se luz, energia! Fim dos problemas ambientais e metafísicos e princípio dos questionamentos físicos.
A grande conclusão é a de que Einstein era, provavelmente, um budista não-professo e que a teoria da luz e da relatividade tinha sua fonte no budismo de estética quasi-gay. Lembrei-me da cena de um média-metragem da fase dos 90s nacional que se utilizava da metáfora da luz. "Bicha não morre, vira purpurina".
Então às favas com os debates sobre o petróleo, quando morrer, como a bicha, Einstein e Budha quero também me valer da metáfora iluminada "Levem-me à Eletropaulo".

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